domingo, 20 de novembro de 2011

Como tudo começou

Segundo pesquisas e antigas lendas indígenas contadas a mim pelo falecido Silú da Mecanimar,  o AQD 32 amerissou aqui em Pindorama no final dos vibrantes anos sessenta. Era, junto com a rabeta 270, um conjunto que a Volvo chamava de Aquamatic Diesel (AQD) e visava dominar o mercado de motores centro-rabeta, o que, pelo menos por aqui, logrou exito. Foi talvez o primeiro motor multinacional surgido, pois era composto pelo Peaugeot Indenor XDP 6-90 (ou 4-90 para os de quatro cilindros), com bombas diesel e bicos injetores CAV franceses, velas de aquecimento Bosch alemãs e marinização Volvo sueca (apesar de algumas velhas fontes afirmarem ser inglesa). Com isso, disseminou-se, o conjunto, pelos iate-clubes brasileiros, impulsionando as antigas e elegantes Carbrasmar de madeira, símbolos de uma época onde ainda se priorizava a elegância e o bem viver. Foi fabricado pela Volvo no período de 1969 até 1977.
Logo, alguns de nossos bravos mecânicos começaram a fazer improvisos, dado os precinhos módicos e camaradas praticados pela Volvo. Tentou-se fabricar anéis de segmento, o que não deu certo, pois travavam assim que esquentavam. Tiraram-se as válvulas termostáticas da refrigeração pois “essas várvula doto, só servem para dar defeito. É frescura de gringo. Tire elas e o motor vai trabaiá geladim geladim ...”
E os motores “geladins” desgastavam muito mais rápido e perdiam a proteção dos seus cabeçotes de alumínio, que trincavam em mudanças bruscas de temperatura, e proporcionavam calços hidráulicos estupendos.
Também as velas de aquecimento sofreram nas improvisações irresponsáveis. Muitos retiraram as resistências que regulavam as voltagens de 12 para 9 Volts, na esperança de diminuir o tempo de aquecimento . E foi um tal de queimar velas que não acabava mais. Como elas eram caríssimas, os motores levaram a culpa.
Com os anos se passando e os motores diesel melhorando, tornando-se até turbinados, os velhos aspirados foram sendo esquecidos. E ainda devidos aos erros praticados aqui na Taba, deram-lhe a fama de motores fracos e pouco resistentes. Os “precinhos” parcimoniosos praticados pela Volvo igualmente inviabilizaram muitas reformas, e assim, os velhos AQD 32 tiveram o seu inevitável ocaso.